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Spírito Santo apresenta Africanias em Aula Inaugural da EM

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No dia 17 de março, às 15h, na Sala da Congregação da Escola de Música da UFRJ, Antônio José do Espírito Santo, mundialmente conhecido por Spírito Santo, proferirá a Aula Inaugural do ano letivo de 2017. Nela, questões relacionadas às Africanias serão expostas à luz dos esclarecimentos. Cunhado por Nina Friedmann, antropóloga colombiana, em acordo a Yeda Pessoa de Castro podemos entender Africania como a bagagem cultural submergida no inconsciente iconográfico do contingente africano trazido para as Américas em escravidão.

  Foto: Divulgação
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Ainda em acordo a esta etnolinguista brasileira, esta bagagem se faz perceptível na língua, na dança, na religião, no modo de ser e de se ver o mundo. E no decorrer dos séculos, como forma de resistência e de continuidade na opressão, transformaram-se e converteram-se em matrizes partícipes da construção de um novo sistema lingüístico-cultural que, no Brasil, nos identifica como brasileiros. Quanto ao responsável pela Aula Inaugural, no curriculum-vitae de Spírito Santo, que estudou Teoria Musical e Violão com o maestro Guerra–Peixe, além de outras ocupações especializadas, consta a de músico, compositor de trilhas sonoras de filmes e peças teatrais, ensaísta, articulista dos sites Overmundo (Brasil) e Mwangolé (Angola), a criação e a coordenação, até 2015, do Projeto de Extensão, Musikfabrik, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. No período compreendido entre os anos de 1989 e 1993, trabalhou como professor em Viena, Áustria, transmitindo os conhecimentos por ele acumulados, e, como músico, participou , no norte da Itália, de vários shows que fizeram parte do Festival Internacional de Cultura, promovidos pelo Jornal L’Unitá. Dando prosseguimento ao trabalho de transmissão de seus conhecimentos e experiência, sob a direção de Darcy Ribeiro e Cecília Conde, coordenou nos municípios do Sul do Estado do Rio de Janeiro, a dinamização das ações culturais dos CIEPs- Centros Integrados de Educação Pública-, e foi também o principal orientador dos Cursos de Formação Músico-Artesão no Programa Comunidade Solidária, do Governo Federal, no período de 1998 a 2001. De sua profissão de fé, isto é, da declaração pública de sua convicção política, não é possível omitir que, o fato de ter sido, em fins dos anos 60 do século passado, um artista, ativista e militante do ideário da esquerda, custou a ele quase dois anos de prisão em dependências do DOPS e no extinto Presídio de Segurança Máxima, na Ilha Grande- RJ-. Contudo, independente de sua determinação política e da importância de todo trabalho que Spírito Santo desenvolveu com o domínio das profissões aqui citadas, Andrea Adour, vice- diretora da Escola de Música, faz saber que o convite feito a ele para ministrar a Aula Inaugural deve-se a duas outras razões. Uma é que, Maria José Chevitarese, Diretora da Escola de Música da UFRJ, e ela consideraram ser oportuna a ocasião para que sejam discutidas as políticas públicas pensadas a partir das desigualdades sócio-econômicas, ainda hoje vivenciadas pelos descendentes dos povos africanos que foram escravizados e trazidos para o Brasil. Justaposta a esta razão, a outra circunscreve-se na natureza de uma Aula Inaugural que tem por função contextualizar as questões que atravessam e se relacionam com os conteúdos escolares dos discentes e com os objetos de pesquisas dos docentes, nos diferentes campos dos saberes universitários. E sendo Spírito Santo, não só um notável pesquisador e criador do grupo de pesquisa etnomusical denominado Vissungo, responsável por ampla pesquisa de campo da música negra tradicional em quatro Estados da nossa federação e, também, aquele que, em 2003, com o Projeto Diamante Negro fez com que através de elementos culturais de Angola (música, dança e teatro), seus emigrantes e refugiados, na Vila do João, fossem incluídos socialmente no Brasil, nada mais apropriado que seja ele a iluminar as questões a respeito das africanias na música brasileira.  

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